Manejo & Técnica
Manejo da Adubação de Flores e Plantas Ornamentais
Se o guia de fertirrigação é a aula de teoria, este é o caderno de consulta — as tabelas que você imprime e deixa penduradas na estufa. Aqui estão as relações NPK por espécie, a necessidade semanal de nitrogênio e as faixas de condutividade elétrica, prontas para usar.
Como a planta se alimenta (e por que o clima manda na adubação)
A planta não "come" adubo — ela bebe nutrientes dissolvidos na água. E para beber, precisa transpirar; para transpirar, precisa de luz e de umidade relativa do ar adequadas. Esse elo muda tudo na hora de definir a concentração da solução:
- UR alta (85–98%): pouca diferença entre folha e ar → pouca transpiração → pode-se usar soluções mais concentradas;
- UR ideal (55–75%): pleno consumo de água e nutrientes, baixo estresse;
- UR baixa (calor excessivo): a planta fecha os estômatos para não desidratar → transpiração cai → use soluções menos concentradas ou apenas água.
Daí as cinco regras de ouro: o bom produtor fica atento ao microclima; reduz o estresse antes de exigir da planta; quanto melhores as condições, maior a necessidade de nutrição; a concentração acompanha o potencial de consumo de água; e quem cresce rápido come mais.
Os três parâmetros da adubação
- 1. Relação entre nutrientes: a proporção N-P₂O₅-K₂O-Ca-Mg que a espécie precisa na fase em que está;
- 2. Perdas: imobilização nos substratos orgânicos (nitrogênio, principalmente) e percolação na drenagem — cada litro drenado leva nutriente junto;
- 3. Concentração: quanto nutriente por litro de água, que depende da taxa de crescimento, do volume de substrato e da CTC. A aplicação diária seria o ideal.
E o guarda-chuva de tudo isso é o pH: se qualquer sintoma de deficiência aparecer, antes de tudo verifique o pH. O substrato varia de acordo com a água de irrigação e com a própria fertirrigação; quanto maior a CTC (poder tampão), menores as oscilações.
Lendo o rótulo do fertilizante
Um fertilizante 20-05-10 significa: 20% de Nitrogênio, 5% de Fósforo (como P₂O₅) e 10% de Potássio (como K₂O). Dissolvendo 1 g/L:
- N: 1000 mg × 0,20 = 200 mg L⁻¹ de N;
- P₂O₅: 1000 mg × 0,05 = 50 mg L⁻¹;
- K₂O: 1000 mg × 0,10 = 100 mg L⁻¹.
A relação entre nutrientes desse fertilizante é 1 - 0,25 - 0,5. Misturando 1 g/L de (14-8-30) + 1 g/L de (20-5-10): N = 140+200 = 340; P₂O₅ = 80+50 = 130; K₂O = 100+300 = 400 → concentração de 340 mg L⁻¹ de N na relação 1 - 0,4 - 1,2 (130/340 e 400/340). É assim que se monta uma solução sob medida.
Relação N : P₂O₅ : K₂O recomendada por espécie
| Espécie | Relação N : P₂O₅ : K₂O |
|---|---|
| Gérbera | 1 : 0,5 : 1,4 |
| Rosa | 1 : 0,4 : 0,7 |
| Crisântemo, petúnia, fúcsia, cinerária | 1 : 0,3 : 1,3 |
| Gerânio | 1 : 0,2 : 1,3 |
| Poinsetia | 1 : 0,35 : 1,2 |
| Ciclâmen | 1 : 0,3 : 2,5 |
| Cravo | 1 : 0,3 : 1,5 |
| Uso geral (plantas de jardim) | 1 : 0,3 : 1,3 |
| Condicionamento / florescimento | 1 : 0 : 2 |
Quanto de N por semana, por espécie
| Espécie | Exigência | mg L⁻¹ de N/semana |
|---|---|---|
| Iris, narciso (em florescimento) | nenhuma | 0 |
| Forrações de jardim, begônias | muito baixa | 240 |
| Azaléia | baixa | 300 |
| Gloxínia | baixa | 360 |
| Rosas, cravos | moderada | 480 |
| Gerânios, lírios | moderada | 480 |
| Crisântemo | alta | 600 |
| Poinsetia | muito alta | 720 |
Adaptado de:Bailey, D.A.; Nelson, P.V. Designing a Greenhouse Crop Fertilization Program. North Carolina State University, 2000.
Monitorando com a condutividade elétrica (CE)
A CE indica a concentração total de sais na solução — a "força" do fertilizante no substrato. Pode ser medida por extratos (pasta saturada; 1:2; 1:5; 1:10) ou por exfiltrados (Pour Through, avaliando a própria drenagem). Parâmetros de referência (Cavins et al., 2000):
| Interpretação | Extrato 1:2 (dS m⁻¹) | Exfiltrado / Pour Through |
|---|---|---|
| Muito baixo — pode não sustentar crescimento | 0 a 0,25 | 0 a 1,0 |
| Baixo — seedlings, forrações anuais, sensíveis à salinidade | 0,26 a 0,75 | 1,0 a 2,6 |
| Normal — maioria das plantas em crescimento | 0,76 a 1,25 | 2,6 a 4,6 |
| Alto — vigor reduzido, risco no calor | 1,26 a 1,75 | 4,6 a 6,5 |
| Muito alto — injúria: bordas queimadas, murcha | 1,76 a 2,25 | 6,6 a 7,8 |
A memória da planta
Para encerrar: existem formas diferentes de nitrogênio, que determinam tanto o formato do crescimento quanto o comportamento do pH. O nitrato é o mais perdido por percolação e o mais imobilizado por microrganismos em substratos orgânicos — em substratos novos, considere nitrogênio extra na fase inicial. E lembre-se da "memória" da planta: a capacidade de recuperação após um estresse varia de espécie para espécie, e nem toda planta perdoa um erro de manejo.
📄 Versão em PDF
Prefere ler offline, imprimir ou guardar para consulta na estufa? Baixe o material original completo.
Perguntas frequentes
Posso usar a mesma adubação para todas as plantas do viveiro?
Não é ideal. A relação NPK e a exigência de nitrogênio variam bastante entre espécies — a poinsetia consome o triplo de N por semana que uma forração de jardim. As tabelas deste artigo são o ponto de partida.
Como sei se estou exagerando na adubação?
Meça a condutividade elétrica do substrato regularmente. Valores acima da faixa normal para o método de extração indicam acúmulo de sais — reduza a concentração e aumente a drenagem.