Cultivo por Espécie

Amor-Perfeito (Viola x wittrokiana): Guia Técnico de Produção

Pequeno, simpático e dono de uma história de melhoramento que começou na Inglaterra de 1814: o amor-perfeito é a porta de entrada de muita gente para a floricultura — e uma das plantas mais vendidas nos garden centers durante o outono e o inverno.

Apesar da fama de "fácil", produzi-lo com qualidade comercial exige conhecer as diferenças entre os tipos de flor e o papel dos híbridos F1. Este guia técnico resume o essencial: da botânica à escolha da época certa de plantio.

O gênero Viola, do qual o amor-perfeito faz parte, tem mais de 500 representantes nas regiões temperadas e subtropicais de altitude. A Viola x wittrokiana é um híbrido que se supõe ser derivado da espécie Viola tricolor, tendo sido descrito inicialmente por Gerard em 1587. Seu melhoramento iniciou na Inglaterra, em 1814. Os híbridos de segunda geração (F2) foram o lançamento da década de 1950 e a partir de 1965 começaram a surgir os híbridos de primeira geração (F1), que hoje dominam o mercado profissional com suas flores maiores, maior resistência ao calor e plantas mais compactas.

O amor-perfeito é recomendado para o cultivo de outono, inverno e início de primavera nas regiões de clima ameno do Brasil, a temperatura ideal está entre 18 a 22 OC de dia e 16 a 18 OC à noite. É, no entanto, uma das flores de jardim mais resistentes à geada.

O produtor que se dedica ao cultivo de mudas de amor-perfeito em geral planta também todo o mix de flores e folhagens de forração para jardim, comercializando para gardens centers, empresas de jardinagem ou para paisagistas.

Existem variedades mais tolerantes ao calor como a Dynamite e Crystal Bowl Supreme da empresa Sakata, o Colossus da SG e o Matrix da empresa Ball.

Nos climas mais frios ele pode ser considerado uma perene de curta duração, mas no Brasil raramente ela sobrevive de um ano para o outro devido ao calor e à umidade no verão. Plantá-la à meia sombra pode ser uma alternativa para os locais de mais calor, porém na região sul o ideal é um local bem ensolarado, onde as plantas ficam mais compactas e há menos problemas com doenças.

Uma das suas características mais apaixonantes dessa flor é a possibilidade de visitar o arco-iris: violeta, azul, lavanda, amarelo, pêssego, laranja, rosa, vermelho, e o preto (um púrpura muito escuro) e alguns bicolores e em degrade podem ser encontrados. Existem dois grupos: aqueles mais tradicionais com “face” (aquela mancha escura no centro), ou os de cor pura.

Variedades de flor pequena, média e grande e também algumas de flores com as

bordas crespas. Poucas outras flores chegam a tanta diversidade. O vermelho é ainda o ponto fraco, ficando devendo a cor realmente pura.

O amor-perfeito pode ser cultivado em canteiros no jardim, em vasos e floreiras. O substrato ideal é bem drenado e um pouco mais ácido que o normal, com valor de pH entre 5,8 e 6,2. A maior acidez ajuda a prevenir o fungo Thielaviopsis basicola que ataca a espécie, provocando bloqueio da nutrição pela morte das raízes, resultando em arroxeamento das folhas e morte.

Outros fungos importantes são a antracnose, cercóspora e a pinta preta, que atacam as folhas. Uma boa nutrição, um local bem arejado, a incidência do sol da manhã e eventualmente a utilização de fungicidas são medidas preventivas.

Uma forma de evitar problemas é ajustar o horário da irrigação para o meio da manhã, dando tempo para que as folhas sequem antes do final da tarde. As regas devem ser feitas quando necessário (com o dedo verifique se a terra está molhada). Nos períodos mais frios é bom deixar as plantas um pouco mais para o lado do seco, sem no entanto deixar as folhas murcharem totalmente. Isto prejudicará a floração.

Plantas estabelecidas no inverno darão seu show no início da primavera, pois com o aumento do comprimento do dia há o estímulo para a formação de mais flores. A retirada das flores passadas, antes de que formem sementes, fará com que suas plantas durem mais. Você pode também fazer uma poda nas hastes mais longas para prolongar o período de floração, que dura até o início de dezembro nos locais mais frios do Brasil. Variedades de flores menores se recuperam mais rápido em períodos chuvosos.

Para ter plantas sadias a adubação é um elemento importante. O amor- perfeito não tolera adubações ricas em nitrogênio amoniacal, como esterco de frango, tortas de mamona e nitrato de amônia, ou uréia. Estes fertilizantes provocam amalerecimento das folhas mais velhas e deixam a planta alta, com baixa resistência. Mais não deixe de adubar. Utiliza fórmulas ricas em potássio e fósforo como o NPK 5-20-10 ou 5-20-20.

As melhores variedades no mercado são híbridas F1 (primeira geração). Os pacotes têm em geral mil sementes. Para o uso doméstico existem variedades

antigas muito boas como o gigante suíço (prêmio de melhor variedade nos EUA em 1933). Os produtores profissionais utilizam a fibra de coco granulada ou turfas de esfagno importadas. Para fazer suas próprias mudas, deve-se semear em bandejas de pequenas cavidades (em geral de 288 células) a no máximo 3 mm de profundidade, cobrindo com uma finíssima camada de substrato ou vermiculita, molhando bem com um spray ou regador de crivo bem fino logo após. Nos primeiros 4-5 dias deixe em câmara de germinação ou em um local fresco (um galpão à sombra por exemplo), molhando novamente se necessário. As sementes devem começar a emitir suas pequenas raízes nesse período se a temperatura ficar entre 18 e 22 oC.. Quanto as primeiras mudas começarem a emergir, leva-se a bandeja para a estufa, com um aumento progressivo da luminosidade (redução progressiva do sombreamento). Nesse período deve-se irrigar o necessário para que o substrato não troque de cor, mas evitar o excesso de água.

Após 4 a 5 semanas repicam-se as mudas para os recipientes maiores (saquinhos, potes ou packs, de acordo com o mercado e tecnologia local). Em média leva-se de 11 a 13 semanas da semeadura até o transplante no jardim. A fase de plug leva em torno de 4 a 6 semanas e a fase do transplante à comercialização cerca de 6 a 8 semanas, dependendo da variedade. O Mini-Amor (Violinha) é cerca de uma a duas semanas mais precoce. O fator “temperatura” é o maior determinante para um bom resultado na produção.

Uma dica para o bom jardineiro ou paisagista é utilizar o amor-perfeito em suas cores separadas ou em mixes especiais, que combinam cores de forma harmoniosa. Como exemplo o mix de vermelho, amarelo e branco/marfim, o mix de branco laranja e amarelo (Citrus mix), o preto e o laranja (Hallowen), o amarelo ou laranja com o púrpura, os tons de azul, lavanda e púrpura misturados e também a utilização do mini-amor perfeito ou violinha (Viola cornuta) como bordadura ou em ondas com o amor de flor média ou grande. Vale a criatividade!

Algumas das variedades mais conhecidas (híbridos F1):

Flores Grandes

  • Super Majestic Giants: um dos primeiros híbridos F1. Oito cores, todas com

face. Flores muito grandes, até 11 cm. Sofre muito com chuvas fortes. (Sakata);

  • Colossus: compacta, resistente ao calor, flores somente com face. Uma das

melhores variedades disponíveis nesse grupo. Pouca opção de cores no mix. O amarelo é excepcional (S&G Flowers).

  • Majestic Giants: variedade antiga, vigorosa e florífera, com 7 cores com

face. Um pouco menor que Super Majestic, porém mais resistente. (Sakata);

  • Bingo: 16 cores com e sem face (Ball);
  • Matrix: Variedade nova, com bom desenvolvimento e resistência do outono

à primavera, compacta, precoce e muito florífera (Ball);

  • XXL: Extra grande, para cultivo de outono (Ball)
  • Scala: Boa opção de cores, com e sem face (Ball).
  • Atlas: Série pouco conhecida no Brasil. Em avaliações no exterior tem

demonstrado tamanho médio de flor superior às outras variedades do grupo. Mix com 22 cores, com e sem face. Folhas grandes. Menos compacta e mais precoce que Colossus (Bodger Seeds).

Flores Médias

  • Dynamite: resistente ao calor, menos compacta do que Colossus. Mix

completo com flores com face e sem face. Destaque para laranja, vermelho e amarelo sem face (Sakata).

  • Delta (S&G Flowers).
  • Panola: 22 cores, boa recuperação após chuvas, flores com e sem face

(Ball).

Flores pequenas

  • Cristal Bowl: série de flores sem face com 11 lindas cores. Destaque para o

azul Deep Blue, um lindo tom de azul puro, muito florífero. Bom para grandes maciços. (Sakata).

  • Supreme: reúne a Crystal Bowl Supreme (12 cores), de flores sem face e a

Maxim Supreme (8 cores), de flores com face. Não necessita de frio para florescimento, porém são pouco compactas. Muito floríferas. (Sakata).

  • Ultima: série com 28 cores/tipos, que incluem os “shades” de tons pastéis

os “beacons” (degrades), bicolores, e o mix “Impression” com misturas inusitadas de cores. A seleção “Ultima Morpho” de flores amarelas e azul celeste é um destaque, homenageando uma borboleta exótica da Costa Rica. São séries interessantes para canteiros vistos de perto, onde se pode apreciar os diferentes tipos de flores e para mercados direto ao consumidor doméstico, que gosta do colorido misturado nos canteiros (Sakata).

  • Patiola: excelente variedade denominada de “multiflora”. Na verdade é uma

violinha (Viola cornuta) de flores grandes. Flores perfumadas. Muito florífera. Nos tons de violeta, azuis, amarelo, laranja bicolor. Conhecida como Amor-Perfeito “Baby” no Sul do Brasil (S&G Flowers).

Mini Amor-Perfeito (Violinha)

  • Sorbet: mix com 33 cores, flores pequeninas, muitas das cores com

excelente performance no jardim. (Ball);

  • Splendid: boa cobertura do solo, flores abundantes, mix restrito a poucas

cores (Sakata);

  • Penny: excelente variedade, mais vigorosa e de flores maiores que Sorbet.

(Goldsmith).

  • Rocky: mix com excelente uniformidade (S&G Flowers).
  • Alpine: variedade pendente para vasos e floreiras. Muito resistente e de

fácil ressemeadura natural (S&G Flowers).

Cirilo Gruszynski é Engenheiro Agrônomo, Mestre na área de produção de flores. É produtor de flores e forrações de jardim e sócio da Topiarte Jardins Ltda., empresa que trabalha com projeto e execução de Jardins em Gramado, RS na Serra Gaúcha.

Topiarte Jardins Ltda.

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Perguntas frequentes

Qual a melhor época para plantar amor-perfeito?

É recomendado para cultivo de outono, inverno e início de primavera, conforme a região. O calor intenso de verão compromete a qualidade das flores em grande parte do Brasil.

Vale a pena investir em sementes F1?

Para produção comercial, sim: os híbridos de primeira geração têm flores maiores, resistência superior ao calor e plantas mais compactas — qualidades que o consumidor paga mais caro.

CG

Sobre o autor

Engenheiro Agrônomo formado pela UFRGS (1989), Mestre em Fitotecnia na área de Floricultura pela mesma universidade (2002). Produtor de mudas para jardim e plantas aromáticas pela La Belle Fleur e paisagista pela Topiarte Jardins, em Gramado (RS).

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